2º Bimestre 2020: Ética e Cidadania
Caso menino Miguel: 'A nossa supremacia branca é
assim', diz historiadora
Garoto
de 5 anos morreu após cair do prédio de luxo de patrões da mãe, empregada
doméstica; caso inflamou debate sobre racismo brasileiro em meio a
manifestações americanas.
Por BBC
05/06/2020 08h44. Atualizado há 4 dias
Miguel Otávio morreu ao cair do 9º andar de um prédio de luxo
no Recife — Foto: Reprodução/Facebook
Na semana em que protestos motivados pela morte de um homem
negro, George Floyd, por um policial branco nos Estados Unidos se espalharam
também pelas redes sociais brasileiras, o filho negro de uma empregada
doméstica, Miguel Otávio, morreu
ao cair de um prédio de luxo no Recife, enquanto estava aos cuidados da
patroa, branca.
Para a historiadora Luciana da Cruz Brito, professora da
Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) e especialista em história da
escravidão, abolição e pós-abolição no Brasil e nos EUA, a morte de Miguel
resume o debate sobre as diferenças entre a questão racial nos dois países.
"A nossa supremacia branca é assim. Não tivemos leis
segregacionistas, como nos Estados Unidos, mas temos o mesmo princípio de que
algumas pessoas são mais humanas do que outras", disse à BBC News Brasil,
em entrevista por telefone.
O garoto de 5 anos tinha acompanhado a mãe, Mirtes Renata de
Souza, ao trabalho no apartamento dos patrões, já que as creches em Recife
estão fechadas por causa da pandemia de covid-19. Mirtes teve de descer para
passear com o cachorro da patroa, e deixou o filho aos cuidados desta. O menino
começou a chorar enquanto a patroa fazia as unhas com uma manicure e entrou no
elevador do prédio, no 5º andar, para buscar a mãe.
Imagens do circuito de câmeras de segurança, divulgadas pela Polícia
Civil, mostram o momento em que a patroa, identificada por Mirtes em entrevista
à TV Globo como Sari Corte Real, fala com o menino no elevador e parece apertar
um dos botões. De acordo com a investigação, o menino desceu no 9º andar,
escalou uma grade na área dos aparelhos de ar-condicionado e caiu.
De acordo com a polícia, a patroa foi presa em flagrante, pagou
uma fiança de R$ 20 mil e deve responder em liberdade por homicídio culposo,
quando não há intenção de matar.
O assunto se tornou o mais comentado do Twitter no Brasil na
última quinta-feira, com mais de 300 mil publicações.
Celebridades e políticos, como a ex-senadora Marina Silva e a
vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, se manifestaram sobre a morte
do garoto e afirmaram que o caso mostra o racismo estrutural e o desprezo pelas
vidas negras no país.
Isso não significa, no entanto, que o racismo no Brasil ganhará
o centro do debate, segundo Luciana.
"Ainda precisamos ser pautados pelos Estados Unidos porque
ainda queremos acreditar no mito de que vivemos numa democracia racial. É mais
fácil olhar para lá e dizer: 'graças a Deus aqui não é assim'. Mas aqui é
assim, sim."
Veja a seguir os
principais trechos da entrevista:
BBC News Brasil - O que a morte
de Miguel Otávio revela, em sua opinião, sobre o racismo no Brasil?
Luciana Brito - É trágico que uma
criança tenha que morrer para mostrar isso, mas é assim que a ideia de
supremacia branca funciona no Brasil. Eis a principal diferença entre a questão
racial aqui e nos Estados Unidos.
Nem posso dizer que não temos aqueles supremacistas brancos
clássicos, porque agora vemos aqui passeatas inspiradas na Ku Klux Klan, por
exemplo.
Nós tivemos teses racialistas no Brasil, no início do século 20,
dizendo que brancos seriam superiores a negros. Mas depois de um certo momento,
essa ideia começou a se enraizar nos costumes.
Enquanto a ideia de supremacia branca nos Estados Unidos se
transformava em leis, nos anos 1940, 1950 e 1960, aqui ela já estava
profundamente nos costumes da população brasileira. Esta é a nossa supremacia
branca.
Mesmo que não tenhamos tido as
mesmas leis segregacionistas que os EUA, temos o mesmo princípio de que algumas
pessoas são mais humanas e mais cidadãs do que outras.
BBC News Brasil - Que elementos
do caso, na sua opinião, o tornam tão emblemático desse princípio?
Luciana Brito - Desde o início da
pandemia estamos falando das trabalhadoras domésticas. Elas foram as primeiras
a ser infectadas sem sair do país. Foram as primeiras a aparecer no fundo das lives
(transmissões ao vivo) das celebridades. Então essa mulher, Mirtes Renata, a
mãe de Miguel, foi infectada, não tinha onde deixar o filho e o levou para o
local de trabalho, que era um local de infecção — já que os patrões dela
estavam infectados. Esse é o primeiro ponto.
Depois temos a cena da patroa em casa rodeada de serviçais. Eu
chamo isso de "delírios escravistas coloniais da sociedade
brasileira". É o saudosismo do Brasil escravocrata colonial. É o
sentimento que faz uma pessoa se rodear de serviçais num contexto de pandemia e
de isolamento social. Ainda que esses serviçais, a doméstica, a manicure e o
menino, estivessem correndo risco de vida.
Também há o fato de que a mãe da criança teve que sair para
levar o cachorro para defecar, coisa que qualquer pessoa poderia fazer,
inclusive a dona do cachorro. Ela não abre mão de fazer as unhas para que o
cachorro vá defecar. O cachorro tem um pouco da extensão da humanidade da dona.
Ele tem uma atenção mais qualificada, que é a da trabalhadora doméstica.
O menino fica (em casa). Ele incomoda a patroa porque chora pela
mãe, e ela o deixa no elevador sozinho. Eu vi a cena do elevador (no vídeo das
câmeras de segurança exibido pela Polícia Civil). A forma como a patroa se
dirige ao menino de 5 anos é como se estivesse falando a um adulto
impertinente.
Se a gente quer falar nos Estados Unidos, isso me lembrou Tamir
Rice, que morreu em 2014. Ele estava em um parque brincando com uma arma de
brinquedo, uma pessoa viu da janela e ligou para a polícia. Disse para a
polícia que ele aparentava ter 20 anos. Ele tinha 12. O carro da polícia chegou
e ainda estava em movimento quando o policial atirou e matou Tamir. Crianças
negras, especialmente meninos, não têm infância.
A patroa de Mirtes fala com um menino de 5 anos sem cuidado.
Essa é a idade do meu filho. Ele não fica em momento algum fora de nossas
vistas. Meu filho nunca andou sozinho no elevador do meu prédio, nem nos meus
momentos de maior cansaço e preguiça.
A mulher bota o menino no elevador, aperta o botão, como dá para
ver no vídeo, e aparentemente volta e continua a fazer as unhas. Não
conseguimos ter uma ideia exata de tempo pela entrevista da mãe na imprensa,
mas entendi que quando a mãe volta do passeio com o cachorro, ela fica sabendo
pelo zelador que alguém caiu, e descobre o filho morto no chão.
Ou seja, a patroa colocou o menino no elevador e sequer ficou
vigiando para saber se ele tinha voltado ou não. Ela não sabia que ele tinha
caído. Isso revela um desprezo por um ser humano. E é aí que eu vejo uma noção
de supremacia branca. Não precisa vestir roupa da Ku Klux Klan.
BBC News Brasil - O Brasil
parece ter herdado a comoção com a morte de George Floyd e os protestos
antirracismo ocorrendo nos Estados Unidos na última semana. E houve quem
dissesse que as mortes de pessoas negras em ações policiais aqui, como o caso
recente de João Pedro, de 14 anos, não são alvo de protestos tão eloquentes.
Por outro lado, muitos ativistas do movimento negro apontaram que manifestações
acontecem, sim, especialmente nas comunidades mais atingidas pela violência
policial. Por que esses protestos nacionais parecem menos visíveis?
Luciana Brito - Um exemplo disso
acabou de acontecer. Eu estava vendo o jornal local e soube que ocorreu um ato
por conta de uma ação policial no Bairro da Paz, em Salvador (Nota da redação:
Dois jovens negros foram mortos em tiroteio). A comunidade fechou a Av.
Paralela, tocou fogo em pneus e em um ônibus. Nós, as pessoas negras que são
militantes, não fomos para lá. Não recebi nenhum informe sobre mobilização. E o
comandante da polícia disse no jornal que aquelas eram pessoas influenciadas
por traficantes de drogas, que mandaram que elas se manifestassem.
Quando ele diz isso, está fazendo duas coisas: primeiro ele
conta com esse mito de que as leis não têm corte racial, de que as ações
policiais em que morrem negros são casos isolados — embora só negros morram
dessa forma. E em segundo lugar, ele também desacredita a capacidade de
articulação política daquelas comunidades.
A gente vê que nos Estados Unidos os policiais não negam em
momento algum que há uma demanda política nos protestos. Eles podem até
discordar, mas sabem que é um movimento político e que há uma questão para ser
discutida.
Não temos uma polícia — nas Américas de um modo geral — que
respeite as pessoas negras, nem mesmo a sua capacidade política de se organizar
para expressar sua revolta através de uma manifestação, por menor que seja.
No Brasil não temos uma imprensa que nos apoie, que esteja
realmente comprometida com a luta antirracista. Isso já vemos com mais
frequência nos Estados Unidos.
Também não há uma compreensão de toda a população negra
brasileira de que aquilo ali poderia acontecer com qualquer pessoa da nossa
família, ou com nós mesmos, também por uma cobertura jornalística desses
eventos que criminaliza aquelas pessoas.
Temos programas jornalísticos sensacionalistas que mostram todos
os dias jovens negros sendo presos, com apresentadores dizendo: "são
marginais, é isso mesmo". Não há um olhar mais sofisticado de todo o
jornalismo sobre a maneira como são feitas essas prisões ou chacinas.
E nós também não temos um apoio da comunidade branca que se
envolva naquilo como se fosse problema dela. E não falo dos brancos
conservadores, porque já sabemos qual é a deles. Falo dentro do próprio
coletivo que é de esquerda, que tem um olhar humanitário sobre a sociedade, mas
que diz "aquilo ali é problema do pessoal do movimento negro, eu não vou
lá".
E tudo isso está ligado, é claro, à nossa história racial.
BBC News Brasil - De que
maneira?
Luciana Brito - A polícia é violenta,
tanto lá nos EUA quanto aqui. Mas nos Estados Unidos — e eu atribuo isso ao
movimento pelos direitos civis, nos anos 1960 — as lideranças negras
conseguiram promover uma educação racial nas comunidades negra e branca muito
cedo. Isso porque lá o racismo era uma política de Estado escancarada.
Depois da abolição da escravidão, houve um período chamado de
reconstrução nacional, quando se incentivou que negros fossem para a escola, se
candidatassem a cargos públicos, houve fiscalização para que as pessoas não
fossem escravizadas.
Mas chegou um momento em que cada cidade e Estado sulista
começou a implantar suas próprias leis segregacionistas, que é o que conhecemos
como as Leis de Jim Crow. O governo federal fez vistas grossas enquanto os
Estados do Sul passaram a promover o que eu chamo de terrorismo às populações
negras no sul. Linchamento, enforcamentos, cenas que hoje conhecemos de
fotografias e de filmes, que mostram churrascos de gente.
BBC News Brasil - E no Brasil?
Luciana Brito - Depois que os EUA
aprovaram a abolição, em 1865, os jornais de lá passaram a cobrir quase que
diariamente a situação no Brasil, que tinha recebido muito mais negros
traficados. Eram 400 mil nos Estados Unidos e quase cinco milhões aqui. Chamava
atenção que o Brasil conseguisse arrastar a escravidão por tanto tempo.
Mas os diplomatas e políticos brasileiros se justificavam
dizendo que aqui a escravidão era branda, que não havia conflito de cor. Outra
justificativa comum era: "vamos chegar na abolição, mas estamos fazendo
isso de maneira pacífica, porque aqui não tem guerra".
O Brasil acabou com a escravidão e entrou no pós-abolição com
esse mito de "não temos conflito racial como nos Estados Unidos". E
outros mitos como "o negro aqui não trabalha, é preguiçoso". Aí foram
criminalizadas as atividades negras pela lei da vadiagem, do Código Penal de
1942. Não tinha nada lá falando sobre negro, mas a capoeira era crime, o
candomblé era crime. Ficar na rua, algo comum para as pessoas negras libertas
que não tinham emprego ou tinham empregos informais, era crime.
Então, depois da abolição, o Brasil não criou leis claramente
segregacionistas, mas encontrou formas igualmente perversas de lidar com a
população negra, que transformaram o racismo em algo não dito.
A educação para sobreviver numa sociedade racista a partir do
não dito deixou mais difícil para pessoas negras se organizarem em torno de um
inimigo visível.
Raramente uma pessoa negra no Brasil tentou entrar num
restaurante e ouviu "preto não entra aqui". Nós sabemos, e
vivenciamos isso, que aqui você ouve "as mesas estão todas ocupadas".
Você entra em uma loja e não é expulso, mas a vendedora lhe ignora. Quem não
lhe ignora é o segurança.
Nós não tivemos uma formação, desde a infância, na qual somos
treinadas e treinados para perceber o racismo no momento em que ele está
acontecendo, sem ser nomeado.
Isso faz com que vejamos coisas como o avô de Ágatha (Félix, de
8 anos, morta por tiros de fuzil de um policial militar em 2019) dizendo a
jornalistas na porta do IML (Instituto Médico Legal): "Ela fazia inglês,
ela fazia balé, ela era boa aluna".
Porque ele acredita que a família fez tudo certo. Nesse pacto
civilizatório brasileiro, nessa ideia da família de bem, é preciso dizer
"ela não merecia", como se fosse uma questão de merecimento.
Somos treinados, inclusive as pessoas negras, para que, quando
vemos corpos negros na televisão sendo arrastados pela delegacia ou as chacinas
nas comunidades, pensemos: "ali era marginal, e marginal tem que
morrer".
O Brasil foi resolvendo seu problema racial assim: com muita
força policial, muita repressão e sem falar abertamente do conflito. E
construímos uma identidade nacional como uma democracia racial pacífica,
acreditando que o problema racial é um problema do outro.
O nosso olhar, sobretudo o da grande imprensa, sobre o conflito
nos EUA, continua sendo esse: "Olha que absurdo o policial branco que
matou o negro". Mas dizendo subliminarmente, pelo silêncio, que no Brasil
não tem isso.
BBC News Brasil - Mas ao mesmo tempo em que falamos do racismo estrutural nos EUA
como um dos fatores que provocaram a onda de protestos, no Brasil, estudos
mostram que 75 a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil são negras, inclusive
em intervenções policiais. Estatisticamente, negros também têm menos
escolaridade, menor renda e menos acesso à saúde, assim como lá. É possível
dizer, mesmo subliminarmente, que "no Brasil não tem isso"?
Luciana Brito - É cada vez mais difícil
sustentar esse discurso. Mas sempre tem alguém que usa um argumento do tipo:
"Lá nos Estados Unidos o policial que matou o homem negro foi branco, mas
aqui no Brasil não há essa dicotomia, porque os policiais também são
negros".
Esse é o nó que o mito da democracia racial dá nas nossas cabeças.
Eu vi um vídeo de um policial branco nos EUA atacando uma jovem
negra. A superior do policial, também uma mulher negra, interrompe a ação dele,
o empurra violentamente para longe da menina e o repreende na frente dos
colegas.
No Brasil, essa mulher ou esse homem negro, quando veste a
farda, é capaz de abater uma pessoa negra, e é racismo mesmo assim. Porque,
aqui, o policial negro é treinado pelo Estado para achar que todas as pessoas
que se parecem com ele são criminosas. Quando está de farda, ele perde a
identidade racial. Ganha uma espécie de selo de qualidade. Vira o "negro
de bem".
O racismo no Brasil é mais ardiloso. A população negra é
maioria, mas é confundida como um inimigo que faz parte da sua vida, mas que
não é declarado.
Por exemplo, não são todas as famílias negras que se identificam
com a dor da família de Ágatha ou de João Pedro. Ou mesmo de Miguel. Elas
pensam: "Poxa, que má sorte aquela criança estar ali".
Aí vêm os argumentos: "Ah, mas estava ali fazendo o
quê?" ou "Ah, foi um acidente". Todos esses "poréns"
solapam uma realidade que grita, que é o fato de que essas pessoas estão sendo
abatidas por serem negras, por serem consideradas menos cidadãs. Menos seres
humanos.
As pessoas no Brasil até aceitam dizer: "É porque era
pobre". Parece que é mais aceitável atribuir determinadas desigualdades à
pobreza do que ao racismo.
BBC News Brasil - Como a classe influencia a percepção sobre o racismo no Brasil?
Luciana Brito - É interessante pensar
que os ganhos que a população negra teve, fruto de conquistas do movimento
negro, como a Lei de Cotas Raciais e a PEC das Trabalhadoras Domésticas,
mexeram nas estruturas da sociedade brasileira e criaram uma reação violenta. E
foram leis que se relacionam muito à formação de uma classe média negra no Brasil.
As domésticas passaram a ter direitos trabalhistas, os filhos de
muitas entraram nas universidades, ou elas mesmas encontraram outras
possibilidades de emprego — eu tenho hoje colegas que foram trabalhadoras
domésticas. E aumentaram as possibilidades para a juventude negra através da
educação universitária.
Essa possibilidade de que negros pudessem transitar, em maior
quantidade, para outra classe social, incomodou muito as estruturas do racismo
brasileiro. Porque a diferença de classe social no Brasil se estrutura na raça.
Só que para uma pessoa negra — e aí falo da minha própria
experiência e dos meus amigos — transitar para a classe média significa apenas
que você acessa os bens de consumo da classe média. Você mora legal, tem carro
bacana, seu filho vai para escola particular, mas você continua emaranhado no
racismo estrutural.
Quando entro em uma loja de creme de cabelo, o segurança ainda
me segue. Quando eu vejo uma criança como Ágatha ou João Pedro serem alvejados,
isso me afeta diretamente, porque tenho uma criança com aquelas
características. Eu tenho medo de meu marido dar um passeio na rua à noite
sozinho.
Além disso, minha mãe não é classe média, meu irmão também não.
Eu sou a única. É por isso que dizemos que não há saída individual para sair
desse racismo, embora muitas pessoas negras acreditem que isso é possível.

Eu não consigo entender como essa mulher conseguiu ter uma atitude dessa. Fico horrorizado em pensar que está difícil confiar totalmente nas pessoas. Por exemplo, a mãe do Miguel deu confiança à patroa, que ela iria cuidar do seu filho, mas depois descobre que ela o deixou morrer, por falta de paciência em ficar com o menino. Esse é mais um caso em que a vida de uma pessoa negra foi sacrificada, como se não tivesse importância, valor. Os negros continuam sendo descartados, violentados e mortos. Isso tem que acabar, pois "vidas negras importam".
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