2º Bimestre 2020: Educação
Baiano de 12
anos que foi vítima de racismo nas redes sociais recebe doação de livros da ABL
Em abril de 2019, o garoto criou o
perfil “Livros do Drii”, no qual faz pequenas resenhas de livros e indica
títulos para mais de 800 mil seguidores.
Por
G1 BA
03/06/2020 22h29. Atualizado há 5 dias.
Adriel Oliveira, de 12 anos, morador de
Salvador, vítima de
racismo por meio das redes sociais, recebeu uma doação de
livros, nesta quarta-feira (3), da Associação Brasileira de Letras (ABL). Em
abril de 2019, o garoto criou o perfil “Livros do Drii”, no qual faz pequenas
resenhas de livros e indica títulos para mais de 800 mil seguidores.
“O Adriel é um menino
realmente admirável. Ele respondeu com tudo aquilo que não houve da parte dos
seus agressores. Com inteligência, sentimento de orgulho, de oportunidade e de
clareza. O Adriel usou aquilo que está faltando muito ao Brasil: armas
culturais”, disse o presidente da ABL, Marco Lucchesi.
O baiano foi surpreendido com uma mensagem
ofensiva, na quarta-feira (27), de uma pessoa que não teve a identidade
revelada. "Porco gordo. Eu achava que preto era pra tá cavando mina, não
lendo. Você foi criado pra ser pobre e preto", diz parte das ofensas. As mensagens com ofensas foram
expostas pelo próprio Adriel. O garoto utilizou as redes sociais para enviar
uma resposta ao agressor. A atitude partiu por um conselho dado pela mãe do
menino, Deise Oliveira, de 32 anos.
Ele expôs as ofensas e escreveu: "Aprende a
escrever, cara. Isso não é um insulto, e sim um conselho. E em pleno século 21,
pessoas ainda são racistas? Atualizem-se. Insultos acabam com o psicológico de
pessoas fracas, esse tipo de coisa não me abala em nenhum ponto. Aliás, tenho
orgulho de ser negro", disse o menino, que está no
7º ano do ensino fundamental e conta que nunca havia sofrido qualquer agressão
do tipo, seja no mundo real ou virtual.
Adriel é apaixonado por livros — Foto: Jornal
Nacional
Além da doação feita pela ABL, que chegou na casa
de Adriel pelos Correios, por causa da pandemia da Covid-19, o garoto também
recebeu livros doados por pessoas de todo o país. Na página do seu perfil, o
número de seguidores aumentou de 240 para mais de 800 mil.
“Nesse momento e que a gente está vivendo, por tudo
que a gente viveu dá um 'acalentozinho' no coração, uma 'esperançazinha' de que
ainda tem jeito”, disse a mãe do menino, Deise Oliveira.
Após receber o apoio de milhares de
brasileiros, Adriel disse que espera inspirar meninos e meninas de todas as
idade.
“Como eu acreditei nos meus sonhos eu consegui realizar,
então essas pessoas precisam acreditar nos sonhos e nelas mesmos”.
Através de um vídeo, o presidente da Associação Brasileira de
Letras disse que espera conhecer Adriel após o período de isolamento social.
“Você Adriel, nos dá um horizonte de esperança. Porque você nos
dá sonho num momento em que vivemos grandes pesadelos. Você defende a cultura
enquanto outros bárbaros de muitas cidades do Brasil em pontos de decisão têm
orgulho da própria ignorância. E quando a pandemia passar espero realmente
abraçá-lo pessoalmente e dizer muito obrigado, Adriel”, disse Marco Lucchesi.
Denúncias de casos de injúria racial pela internet podem ser
realizadas pelo Disk 100,
serviço do Governo Federal que recebe denúncias de violação de direitos
humanos. A denúncia também pode ser feita em delegacias comuns e especializadas
em crimes raciais e delitos de intolerância.
Também existe o portal Safernet,
que recebe denúncias de violações de direitos humanos. Lá, basta escolher o
motivo da denúncia e comunicar o crime de racismo ou injúria.

A leitura faz com que as pessoas aprendam sobre várias coisas, por exemplo, respeito. Através dos livros é possível conhecer lugares e pessoas e também aprender a conviver com todo mundo. Adriel é um menino muito inteligente e deu um excelente exemplo. Ele agiu de forma perfeita, pois mesmo sendo insultado, falou de maneira calma, simples e verdadeira. Gostei muito dele ter dito em sua resposta: “tenho orgulho de ser negro”. Eu também tenho orgulho de ser negro e gosto de ler. Acho que eu e Adriel temos algo em comum. Senti muito orgulho dele.
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