3º Bimestre 2019: Cultura



Projeto Ballet Manguinhos ganha nova sede após ajuda de instituição dos Estados Unidos

Com a colaboração, programa passa a atender 250 crianças, além de meninos e adultos até 29 anos


Adalberto Neto
06/09/2019 - 12:23 / Atualizado em 06/09/2019 - 13:03



O espaço tem capacidade para 250 alunos, de ambos os sexos, de 6 a 29 anos de idade Foto: Bruno Kaiuca / Agência O Globo

RIO — O ano é 2012. Com dois dias de folga do trabalho durante a semana, a jovem Daiana Ferreira, de 23 anos, fez a diferença na vida de um grupo de meninas da favela Mandela I , no Complexo de Manguinhos , na Zona Norte do Rio, com o projeto Ballet Manguinhos . Após muitos altos e baixos — o projeto chegou a ser excecutado na Biblioteca Parque de Manguinhos, que fechou em 2016 —, há um mês, uma instituição da Virginia, nos Estados Unidos, resolveu patrocinar a iniciativa por três anos, incluindo o pagamento dos professores e o aluguel de um imóvel no bairro. Hoje, O Ballet Manguinhos tem capacidade para 250 crianças — 50 a mais do que podia atender — e agora aceita meninos e adultos até 29 anos.
— Parece que eu estou sonhando acordada. Esse espaço é perfeito, espero que a gente consiga comprá-lo futuramente — diz Daiana Ferreira, idealizadora do projeto.
Formada em Educação Física, Daiana fez aulas de balé a vida inteira de graça e quis retribuir e compartilhar tudo o que aprendu.
— Como em frente à minha casa tinha uma igreja com um quintal bom, e eu já queria fazer alguma coisa para tirar as meninas da ociosidade das ruas, pedi ao pastor para me emprestar o espaço e comecei a dar aulas de balé — lembra Daiana.
A divulgação, por meio do boca a boca, deu certo. No primeiro dia do projeto, as turmas da manhã e da tarde estavam lotadas.
— Minha mãe era explicadora e dava aula para muitas crianças na comunidade. Pedi para ela avisar que eu ia começar com o Ballet Manguinhos. E no início já havia um total de 80 alunas.
Mas a iniciativa durou pouco tempo na igreja. Quando chegou aos ouvidos do ex-jogador de futebol Jairzinho a notícia de que uma moça ensinava balé para crianças numa comunidade, em Manguinhos, ele entrou em contato com Daiana e a convidou para se juntar a ele na ONG Ensinando, na Tijuca, voltada para gestão de esporte, cultura e ação social.
 Ficamos lá até o fim de 2014, quando perdemos o patrocínio da Petrobras e fui dispensada. As alunas ficaram bastante desanimadas, mas eu reuni todas as mães e disse que daria início ao projeto sem nada e que, se dependesse de mim, voltaria para a estaca zero sem o menor problema. Só queria saber se estariam comigo nessa. Elas toparam e nós recomeçamos na Biblioteca Parque de Manguinhos 

Daiana Ferreira criou o projeto, em 2012, com o objetivo de tirar meninas da rua Foto: Bruno Kaiuca / Agência O Globo

Incansável, Daiana, que também dava aulas de balé para as filhas da atriz Samara Felippo, pediu que ela divulgasse o projeto. E funcionou.
— Ela disse que não só divulgaria, como iria até lá para conhecer. E não ficou na promessa, não. Ela foi e ainda levou a Priscila Fantin. Paralelamente a isso, uma produtora de audiovisual fez um documentário com a gente e aproveitou a ida dela ao projeto para gravar a visita. Foi engraçado, porque o produtor disse que eu era uma empreendedora social, e eu nem sabia o que era isso. Aí, fui pesquisar e me aperfeiçoar, porque tudo o que tinha feito, até então, tinha sido de forma intuitiva.
Daiana se matriculou nos cursos de produção cultural e empreendedorismo social. Desde então, o Ballet Manguinhos já ganhou cinco editais de financiamento de projetos.
— Com isso, tivemos ajuda para contratar professores, e eu pude ficar mais na gestão do Ballet Manguinhos — diz.
O fechamento da Biblioteca Parque de Manguinhos, no fim de 2016,  no entanto, não estava nos planos de Daiana. As aulas continuaram nas ruas, e no ano seguinte elas ocuparam a biblioteca fechada por mais um ano e meio. Em 2018, o local reabriu com horário reduzido e serviços suspensos .



Comentários

  1. Que bom que esse programa está renovando e melhorando mais ainda, pois vários jovens que vivem em Manguinhos, um local muito violento, dependem dessas atividades para expressarem seus sentimentos e serem incluídas a uma atividade cultural e esportiva.























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