4º Bimestre: Cultura
Professoras criam projeto para
evitar situações de racismo em escola no ES
Educadoras perceberam que alguns
alunos se recusavam a brincar com outros por causa da cor da pele. No projeto
'Penso, logo respeito', alunos aprenderam mais sobre a cultura africana.
Por G1 ES
Luciney Araújo/TV Gazeta
Imagine uma situação em que crianças entre cinco e seis anos de
idade se recusem a brincar com as outras por causa da cor da pele. Casos assim
foram observados em uma creche no bairro Joana D’Arc, em Vitória, e duas
professoras logo pensaram em um jeito de mudar essa realidade e evitar o
preconceito. Nasceu o projeto "Penso, logo respeito".
Além
de situações envolvendo brincadeiras, as professoras Lívia Costa Araújo e
Rosileia Soares também notaram, em uma aula sobre a formação do povo capixaba,
que a raça negra não era bem vista pelos alunos.
“Percebemos
a reação de nossos alunos quando os levamos ao laboratório de informática para
pesquisar sobre as crianças africanas. Quando abrimos fotos de princesas e
príncipes negros, as crianças não aceitavam muito bem por serem negros. Eles
tinham uma visão dos desenhos da Disney, com personagens brancos, loiros, de
cabelo liso e olhos claros", conta a professora Lívia.
Preocupadas
com as reações das crianças, as professoras, juntamente com a equipe pedagógica
da escola, idealizaram o projeto, que proporcionou diversas atividades com foco
no ensino sobre as diferentes culturas, além de combater o racismo por meio da
educação.
A implantação
do projeto
Antes, a escola buscou conhecer melhor o ambiente familiar das
crianças. “Aplicamos alguns questionários aos pais para saber se conheciam a
cultura africana, se havia negros na família e o que achavam de trabalhar o
assunto com as crianças", destaca a professora Rosileia Soares.
Para
ela, é preciso trabalhar de forma integrada e proporcionar a participação da
família e da escola. “A gente também tem que tentar modificar o foco que é a
casa, por que a criança não nasce preconceituosa”, completa.
Graças ao projeto, as crianças passaram a participar de
aulas de capoeira e desfiles utilizando acessórios como turbantes, por exemplo.
O projeto ainda espalhou desenhos de navios negreiros, paisagens, bonecas e
máscaras africanas pelos corredores da escola, tudo isso com o objetivo de
aproximar as crianças das diversidades culturais.
Projetos de arte feitos pelos alunos foram
espalhados pelos corredores da escola — Foto: Luciney Araújo/TV Gazeta
“Estamos colhendo os frutos desse
trabalho. As meninas estão gostando do cabelo solto. Se hoje a gente pergunta
quem é negro na sala, eles já levantam as mãos. Estão mais conscientes da sua
origem e sua identidade”, reforça a professora Lívia.
Para ela, ações como essas ajudam a
mudar o futuro e preparar cidadãos cada vez mais conscientes. “Hoje nós estamos
vivendo tempos muito difíceis, de muito preconceito, de muita intolerância, e a
gente percebe que desde pequenininha a gente pode jogar a semente, que eu tenho
certeza que serão cidadãos melhores, serão pessoas melhores, homens e mulheres
mais tolerantes”, finaliza.
https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2018/10/19/professoras-criam-projeto-para-evitar-situacoes-de-racismo-em-escola-no-es.ghtml



Concordo que para nos tornarmos cidadãos melhores temos que começar ainda crianças. É importante aprender a respeitar todos ao nosso redor, para conseguirmos viver bem uns com os outros.
ResponderExcluirNunca passei por uma situação de racismo, mas já fiquei sabendo de vários casos de preconceito contra negros, como eu. Só de saber que alguém sofreu racismo, fico muito triste e penso o que se passa na cabeça de um preconceituoso, para ele fazer atitudes horríveis. Espero que casos de racismo diminuam no Brasil e que as pessoas tenham respeito com todos.