4º Bimestre 2021: Política
De juiz reservado a
possível candidato: relembre a vida política de Moro
Como o juiz que
jurava que nunca seria político se tornou possível pré-candidato à Presidência
do Brasil
Ana Mendonça
10/11/2021 17:15
Do juiz
reservado até político em ascensão. Sérgio Moro se filiou nesta
quarta-feira (10/11) ao Podemos e deixou no ar a possibilidade de se
tornar candidato nas eleições presidenciais de 2022. Mas afinal, como o juiz
que jurava que nunca seria político, se tornou um possível presidenciável?
Moro ficou
conhecido por comandar, entre março de 2014 a novembro de 2018, em primeira
instância, os processos relacionados aos crimes identificados na Operação
Lava-Jato, envolvendo grande número de políticos, empreiteiros e empresas.
Com o passar
do tempo e a popularidade da força-tarefa, o então juiz acabou se tornando
rosto da onda nacional anticorrupção e anti-petista. Milhares de pessoas saíram
às ruas vestidas com camisetas com o seu rosto pedindo reformas políticas e o
fim da corrupção no Brasil.
Esses foram
os primeiros passos para a retomada do nacionalismo no país, que elegeu
posteriormente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Vestidas de verde e
amarelo, simpatizantes do juiz e do novo presidente marchavam nas ruas contra o
governo petista.
Em meio a
tanta popularidade, Moro jurava que nunca seria candidato a cargos políticos.
Reservado, evitava dar entrevistas e aparecer na frente dos holofotes. Sua
primeira entrevista foi apenas em 2016, quando ele defendeu a limitação do foro
privilegiado aos presidentes dos três poderes.
Em 2017,
Moro condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), decisão posteriormente
anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento de um habeas corpus,
em 23 de março de 2021. A Segunda Turma da Corte considerou que Moro atuou com
parcialidade em relação ao ex-presidente Lula.
Relação com
Bolsonaro
O petista
acusava o então juiz de perseguição. Com os ataques de ambos os lados, o Brasil
se deparou com uma polarização política que se arrasta até hoje. De um lado,
Lula dizia ser inocente de todas as acusações apontadas pela Lava-Jato e de
outro, Moro levantava a bandeira anticorrupção.
Como o
ex-juiz não pensava em ser candidato, a população que concordava com os
pensamentos de Moro procurava um líder. Escondido nos interiores da Câmara dos
Deputados, Jair Bolsonaro acabou ganhando popularidade por defender as ações da
Lava-Jato e ser contra os governos de esquerda.
Em 2018, a
campanha presidencial de Bolsonaro teve como uma das bandeiras o combate à
corrupção. Muito se especulava na época, caso fosse eleito, Bolsonaro
convidaria Moro para integrar seu governo, o que de fato acabou
ocorrendo.
Seis meses
antes de se tornar ministro da Justiça e da Segurança Pública, Moro foi um dos
responsáveis por prender Lula, um dos maiores rivais de Bolsonaro na campanha
presidencial, mesmo sem o petista ser o candidato do PT.
Bolsonaro foi eleito em segundo
turno com 55,13% dos votos contra 44,8% de Fernando Haddad (PT), substituto do
líder petista nas eleições.
Já eleito,
Bolsonaro anunciou em outubro de 2018 convidaria Sérgio Moro para ser o futuro
ministro da Justiça ou então o indicaria para uma vaga no Supremo Tribunal
Federal (STF).
Moro aceitou
o cargo e compôs a bancada “de ouro” prometida por Bolsonaro na campanha
eleitoral.
Briga e Saída do
Governo
Moro era
disparadamente o ministro mais popular do governo de Jair Bolsonaro. De acordo
com Datafolha, entre regular, bom e ótimo, o ex-ministro da Justiça e Segurança
Pública atingiu a marca de 76%. Bolsonaro ficou atrás, com 62% nos mesmos
parâmetros.
A avaliação
positiva transformou Moro em uma verdadeira “galinha de ovos dourados”. Tendo o
ministro ao seu lado, Bolsonaro conseguia o apoio da população.
Apesar de
tanta popularidade, nos bastidores, a relação do presidente com seu ministro da
Justiça era distante. Por ser considerado "intocável", Moro acabava
não discutindo muito com o presidente. Até o dia que se sentiu pressionado.
A briga
começou quando o ex-juiz percebeu uma possível interferência de Bolsonaro na
Polícia Federal (PF). Se sentiu pressionado pelo presidente para trocar o
comando da corporação no Rio de Janeiro, onde o filho 01, o senador Flávio
Bolsonaro (Patriotas-RJ), era investigado por suposto esquema de “rachadinhas”.
Rumores de
uma demissão de Moro começaram a surgir após o ministro se negar a demitir o
superintendente da PF no estado. O ex-juiz, porém, se antecipou e desembarcou
do governo.
Moro saiu
acusando Bolsonaro e detonando uma verdadeira briga ministerial. O presidente
chegou a convocar uma coletiva para negar todas as acusações.
Ida
para os Estados Unidos
Com a saída do governo, o agora
ex-ministro da Justiça deixou o país. Em meio aos embates com Bolsonaro, ele
também se viu alvo de um julgamento no STF, que o considerou parcial nos
julgamentos do ex-presidente Lula.
Para fugir novamente dos holofotes, o
ex-ministro foi morar nos Estados Unidos. Moro tornou-se sócio-diretor da
empresa norte-americana de consultoria Alvarez & Marsal.
Filiação
ao Podemos e a terceira via
Agora de
volta ao Brasil, Sérgio Moro surge como possível candidato à Presidência do
país. Seu ingresso no Podemos, nesta quarta-feira, se dá a pouco menos de um
ano das eleições de 2022.
O ex-juiz
ainda não anunciou qual cargo vai disputar no ano que vem, mas o evento do
partido o anunciou como "futuro presidente da República".
Com um
discurso de candidato, Moro sem citar o ex-presidente Lula nem o presidente
Bolsonaro, recheou a sua fala de indiretas aos dois políticos.
"Chega
de mensalão, petrolão, rachadinha e orçamento", disse ele se referindo aos
escândalos de corrupção nos governos do petista e do atual
presidente.
Disse também
que colocou seu nome à disposição para disputar a eleição no ano que vem.
"Por um Brasil justo para todos."
Parece que temos mais uma provável candidatura a presidente que trará polêmica: Sergio Fernando Moro. Isso porque ele é um político que entende muito bem os problemas e planos do governo atual por ter sido Ministro da Justiça e Segurança Pública. Além disso, por conta da sua participação em processos anticorruptos e por sua dinâmica, conquistou popularidade. Apesar de não gostar de aparecer muito na mídia e dar entrevistas, essa certa popularidade pode ser contribuinte na sua campanha. Portanto, espera-se que mesmo com essa nova informação de sua candidatura, que essas próximas eleições não tenham muitos atritos e problemas graves, como é o de costume de acontecer. Mas ainda há muita coisa para acontecer até esse momento chegar. Certamente será uma eleição bem disputada. E eu espero que dê tudo certo.
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