3º Bimestre 2021: Saúde e Bem-Estar
Eficácia das máscaras contra a Covid-19 é comprovada pela ciência; veja
o que dizem 4 estudos
A
máscara voltou a ser tema de debate após a PGR botar em dúvida o grau de
eficiência do equipamento e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se
posicionar contra a obrigatoriedade do uso. O G1 reuniu quatro estudos que
apontam os benefícios da máscara no controle da pandemia.
Por G1
A discussão sobre o uso de máscaras voltou a ser destaque
depois que a Procuradoria-Geral da República (PGR) disse que o presidente Jair
Bolsonaro não cometeu crime ao aparecer sem
máscara e gerar aglomeração em eventos públicos. Para a PGR, há incerteza
sobre o grau de eficiência do equipamento.
Além disso, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse em
entrevista a um site bolsonarista nesta semana que é contrário à obrigatoriedade do uso de máscaras e
que o uso tem que ser "um ato de conscientização", sem aplicação de
multas.
A fala é diferente da promessa feita pelo ministro à
Organização Mundial da Saúde (OMS) em abril. Na época, ele se comprometeu a incentivar o uso de
máscara no Brasil. No mês passado, Queiroga disse que não tinha pressa para liberar o uso de
máscaras no país e que a medida seria tomada com base na ciência.
Tanto a decisão da PGR quanto a fala de Queiroga ao canal
bolsonarista vão na contramão do que mostra a ciência. As máscaras protegem
contra a Covid-19. Vários estudos publicados ao longo da pandemia já
comprovaram que o seu uso é fundamental para diminuir a possibilidade de
transmissão do coronavírus.
Isso porque o vírus é transmitido
principalmente pelo ar, ou seja, uma pessoa pode ser
contaminada ao inalar aerossóis produzidos quando alguém infectado exala, fala,
grita, canta, espirra ou tosse. Para evitar a inalação desses aerossóis, o uso
da máscara é essencial, assim como o distanciamento social, a ventilação e
evitar aglomerações (principalmente em ambientes fechados).
O G1 reuniu
quatro estudos (dos vários que existem) que mostram a importância da máscara.
Eles foram publicados nas revistas Science, The Lancet e no site do Centro
Nacional de Informações sobre Biotecnologia (NCBI) dos Estados Unidos.
Máscaras barram o vírus
Nós já sabemos que nem todas as pessoas apresentam sintomas
quando infectadas pelo coronavírus. São as chamadas assintomáticas. Esses
indivíduos, assim como os que têm sintomas, estão transmitindo o vírus. E qual
medida importante pode ajudar a barrar a contaminação? A máscara.
Um estudo publicado pela revista Science em 25 de junho reforçou que as máscaras
protegem as pessoas de duas maneiras:
·
Se a pessoa
está infectada com o coronavírus, a máscara reduz a emissão e disseminação do
vírus.
·
Se a pessoa
está em contato com alguém infectado, a máscara faz uma barreira, reduzindo a
inalação do vírus respiratório transportado pelo ar.
Os pesquisadores analisaram três cenários diferentes com dois
tipos de máscaras: PFF2/N95 e cirúrgicas. A proteção é maior quando todos usam
máscara, menor quando só infectados usam e menor ainda quando apenas não
infectados estão protegidos.
O
estudo destaca que a maioria dos ambientes tem baixa concentração de vírus - aí
os modelos cirúrgicos já funcionam bem na prevenção. As máscaras mais avançadas
são necessárias em ambientes fechados, que podem ter alta concentração de
vírus, como centros médicos e hospitais. E se tornam ainda mais eficazes quando
combinadas com outras medidas, como
ventilação e distanciamento.
Os pesquisadores fazem um alerta
importante: se a maioria das pessoas na comunidade em geral usar até mesmo
máscaras cirúrgicas simples, a probabilidade de um encontro com uma partícula
de vírus será ainda mais limitada.
E existe uma máscara melhor? Especialistas
têm repetido que a PFF2 é a
mais indicada. Ela tem uma boa capacidade de filtragem e um bom ajuste ao
rosto.
Quanto
mais pessoas usam, menos o vírus se dissemina
Um
outro estudo, publicado na revista The Lancet em janeiro, constatou que um aumento de 10% no uso de máscaras foi associado a uma
probabilidade de mais de três vezes nas chances de manter a taxa de transmissão
(Rt) abaixo de 1.
O
"ritmo de contágio" é um número que traduz o potencial de propagação
de um vírus: quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para
mais de uma pessoa e a doença avança. Se ele está abaixo de 1, é um sinal de
que a transmissão do vírus está diminuindo.
O
estudo utilizou modelagem matemática para investigar a associação entre uso de
máscaras, distanciamento físico e transmissão SARS-CoV-2 nos EUA e analisou o
comportamento de mais de 350 mil pessoas.
Segundo
os pesquisadores, comunidades com alto uso de máscaras e distanciamento físico
têm a maior probabilidade de controlar a transmissão. "Máscaras faciais
podem ajudar a prevenir a transmissão de Covid-19, protegendo o usuário de se
infectar ou impedindo que o usuário passe o vírus se ele estiver
infectado."
"Nossos achados, com base em dados observacionais,
sugerem um benefício da comunidade por usar máscaras faciais para retardar a
transmissão do Covid-19", explicou John Brownstein, autor sênior do
estudo.
Máscara, ventilação
e distanciamento
Desde o começo da pandemia, os especialistas
alertam que as medidas não farmacológicas são fundamentais para conter a
Covid-19. E o que são essas medidas? Máscaras, distanciamento físico,
ventilação de ambientes e higiene das mãos.
Com a
vacinação, muitas pessoas começaram a abandonar algumas dessas medidas,
incluindo a máscara. Mas precisamos lembrar que os imunizantes previnem as
formas graves e hospitalizações da doença. Ainda não há 100% de certeza que as
vacinas também previnem a Covid-19.
Um
estudo publicado no site do Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia
(NCBI) dos Estados Unidos, alertou que, além da vacinação, as estratégias
contra a Covid-19 devem enfatizar o uso de máscaras e garantir
ventilação adequada.
Para
os pesquisadores, as máscaras têm duas principais funções: limitar a saída de
gotículas respiratórias potencialmente infecciosas; e proteção do usuário da
máscara, reduzindo a entrada de aerossol carregado de vírus.
"Considerando que este último pode ser considerado uma
escolha pessoal, não limitar a saída coloca em risco a saúde de outras pessoas
e, portanto, deve ser regulamentado em uma sociedade civilizada", alertam
os cientistas.
Uma
outra pesquisa, feita em Barcelona e publicada na revista The Lancet em maio,
avaliou o risco de transmissão da Covid-19 em um concerto de música ao vivo em
espaço aberto, em dezembro de 2020. Todos os 465 participantes fizeram testes e
usaram máscaras N95.
Oito dias depois, os participantes fizeram o teste PCR e ninguém testou
positivo para o Sars-Cov-2.
O
principal autor do estudo, Josep Llibre, alertou que o estudo foi feito em um
momento de baixa circulação do vírus, mas que as medidas de prevenção são
essenciais.
"Nosso
estudo fornece evidências precoces de que eventos de música podem ocorrer sem
aumentar o risco de transmissão quando medidas abrangentes de segurança estão
em vigor, mas é importante que nossas descobertas sejam consideradas à luz da
situação na Espanha na época – quando os casos não eram altos e muitas
restrições estavam em vigor. Como resultado, nosso estudo não significa
necessariamente que todos os eventos de massa são seguros."
O que diz o Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde disse, em nota, que trabalha desde o
começo da pandemia para divulgar amplamente todas as medidas de prevenção
contra a doença.
"Entre as ações não farmacológicas estão o uso de
máscaras de proteção, a higienização das mãos, além do distanciamento social.
Medidas que, juntamente com a ampliação da campanha de vacinação, são
necessárias para acabar com o caráter pandêmico da doença", afirma a
pasta.
Sobre o estudo para flexibilizar o uso da máscara no Brasil,
a pasta disse que o documento passa por uma revisão sistemática encomendada pelo
ministério à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O G1 questionou
o Ministério da Saúde sobre a atual recomendação do governo e qual a base da
orientação (pesquisa, ou estudos), mas não obteve respostas até a publicação da
reportagem.
Mais uma vez, diversas pesquisas científicas comprovam a eficácia do uso de máscaras e dos bloqueios sociais. Eu fico surpreso por saber que após tantas mortes, tanto estudo médico, ainda há ideias não cientificamente comprovadas espalhadas no país, até no governo. É uma vergonha ver que mesmo com o número de mortes aumentando rapidamente, há políticos que incentivam investimentos em “soluções adversas”, como o uso de remédios que se dizem eficientes contra o coronavírus. Como o governo pode ampliar as campanhas de uso de máscaras se nem os representantes da política não seguem as normas de saúde?
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