1º Bimestre 2021: Mundo
Papa
Francisco tem encontro histórico com aiatolá e visita local de nascimento de
Abraão, pai do judaísmo, cristianismo e islamismo
Encontro do líder católico e com líder xiita ocorreu na cidade
sagrada de Najaf, no sul do país.
Por G1
06/03/2021
03h38. Atualizado em 17 horas.
Papa Francisco se encontra com o principal clérigo xiita do Iraque, o
grande aiatolá Ali al-Sistani, em Najaf, no Iraque — Foto: Vatican Media / AP
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O Papa
Francisco se reuniu neste sábado (6) com o principal líder xiita do Iraque, o
grande aiatolá Ali al-Sistani, em um encontro histórico. Depois, ele foi a Ur,
onde nasceu o profeta Abraão, pai do judaísmo, cristianismo e islamismo.
O encontro ocorreu na cidade sagrada de Najaf, no sul do país. Foi a primeira vez que um papa se encontra com um líder xiita sênior.
A televisão estatal Ekhbariya mostrou o comboio do
papa movendo-se por Najaf.
Helicóptero militar iraquiano sobrevoa o santuário Imam Ali em Najaf,
durante a visita do Papa Francisco à cidade sagrada para encontro histórico com
o clérigo xiita grande Aiatolá Ali al-Sistani — Foto: Mohammed Sawaf / AFP
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Sistani
é uma das figuras mais importantes do islamismo xiita, tanto no Iraque como
fora dele.
Ele
exerce enorme influência sobre a política. Seus decretos enviaram iraquianos às
urnas eleitorais pela primeira vez em 2005, reuniram centenas de milhares de
homens para lutar contra o Estado Islâmico em 2014 e derrubaram um governo
iraquiano sob pressão de manifestações em 2019.
Sistani,
de 90 anos, raramente faz reuniões e recusou negociações com os atuais e
ex-primeiros-ministros do Iraque, segundo autoridades próximas a ele.
Sistani
concordou em se encontrar com o papa com a condição de que nenhuma autoridade
iraquiana estivesse presente, informou uma fonte do gabinete do presidente à
Reuters.
Mulher caminha perto de pôster que dá boas-vindas ao Papa Francisco em
Bagdá em 4 de março — Foto: Reuters/Teba Sadiq
O Papa
Francisco iniciou sua viagem mais arriscada ao exterior na sexta-feira (5),
voando para o Iraque em meio à segurança mais rígida já vista para uma visita
papal para apelar aos líderes do país e ao povo para que acabem com a violência
e conflitos religiosos.
Francisco,
de 84 anos, fez um apelo para que os iraquianos dessem uma chance aos
pacificadores durante uma reunião de oficiais e diplomatas iraquianos no
palácio presidencial.
Mais
tarde, ele prestou homenagem às pessoas mortas em ataques motivados pela
religião, visitando uma igreja de Bagdá onde homens armados islâmicos mataram
cerca de 50 fiéis em 2010.
Papa visita o local de nascimento de Abraão
Vista do sítio arqueológico em Ur onde, acredita-se, nasceu o profeta Abraão, em 6 de março de 2021 — Foto: Thaier al-Sudani/Reuters
Após
seu encontro com Sistani, Francisco foi visitar as ruínas da antiga Ur, também
no sul do Iraque, venerada como o local de nascimento de
Abraão, que é visto como o pai de três grandes religiões: o
judaísmo, o cristianismo e o islamismo.
"Esse
lugar sagrado nos leva de volta às nossas origens", ele afirmou ao lado de
líderes muçulmanos, cristãos e yazidis. Ele falou perto do sítio arqueológico
da cidade de 4.000 anos.
"Deste
lugar, onde a fé nasceu, da terra do nosso pai Abraão, nos permite afirmar que
Deus é misericordioso e que a maior blasfêmia é profanar seu nome com ódio aos
nossos irmãos e irmãs", disse ele em Ur.
Papa Francisco participa de uma cerimônia no local de nascimento do profeta Abraão, em 6 de março de 2021 — Foto: Yara Nardi/Reuters
"A
hostilidade, o extremismo e a violência não nascem de um coração religioso,
esses sentimentos são a traição da religião. Nós, crentes, não podemos nos
silenciar quando o terrorismo abusa da religião", afirmou o Papa.





Diante dos conflitos históricos entre cristianismo e islamismo, esse encontro de líderes foi muito importante e é um marco da história mundial, pois traz a possibilidade de um diálogo respeitoso entre as religiões. Esse exemplo de humildade e respeito desses dois líderes representa um avanço na busca pela paz e pela tolerância religiosa e demonstra que não existe superioridade entre crenças ou uma verdade única sobre a fé. Pelo contrário, ninguém é igual a todo mundo, e pessoas de diferentes opiniões podem conviver respeitando um ao outro e suas crenças.
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