3º Bimestre 2020: Cultura
Televisão
completa 70 anos no Brasil: relembre as primeiras vezes que a TV inovou no ar
Televisão
surgiu em 1950, importando o que o rádio tinha de melhor. Nos anos 1970, ganhou
transmissão em cores. E ao longo de 70 anos de história, lançou manias e
paixões nacionais.
Por Thais Matos, G1
.
TV completa 70 anos no Brasil — Foto: Arte/G1
A televisão
completa 70 anos no Brasil nesta sexta (18). Para celebrar o aniversário, o G1 preparou uma
lista com algumas vezes que a TV inovou em estilo, tecnologia e programação: da
primeira novela ao primeiro reality show, da primeira vez que a imagem chegou
colorida na casa dos brasileiros ao primeiro beijo entre dois homens no horário
nobre.
Nasce a TV
no Brasil
Garoto vestido
como índio, o símbolo da TV Tupi e Lia de Aguiar e Dionisio Azevedo, em cena de
'Sua vida me pertence', primeira telenovela brasileira (1951) — Foto:
Divulgação/Site do artista
"Boa noite. Está no ar a televisão do Brasil!"
Assim, uma logomarca com um pequeno índio anunciava
a primeira transmissão brasileira, em 18 de setembro de 1950, pela TV Tupi.
O empresário e jornalista Assis Chateaubriand, fundador da Tupi, foi também o primeiro difusor dos aparelhos em um país que já tinha a tecnologia, mas carecia de famílias com recursos para comprá-los.
Montes de pessoas se aglomeravam em padarias e outros lugares de São Paulo para assistir ao primeiro programa ao vivo, “TV na Taba”, na noite daquele 18 de setembro. O programa reuniu artistas que vinham do cinema e do rádio, mas se tornariam grandes símbolos da televisão, como Lima Duarte, Hebe Camargo, Lolita Rodrigues e Mazzaropi, e foi comandado por Homero Silva.
Nos
bastidores, a emoção tomou conta de todos, dos atores aos técnicos. A atriz
Vida Alves (1928-2017) disse ao G1, em 2010, que o
dia pode ser resumido na frase simpática do câmera Élio Tozzi: "se
houvesse uma mosca ali, ela estaria em silêncio e emocionada".
Mazzaropi foi o
primeiro humorista a se apresentar na televisão brasileira — Foto:
Reprodução/TV TEM
A TV
brasileira já começou com muita variedade de programação porque importava os
sucessos do rádio. O primeiro humorístico estreou em 20 de setembro de 1950:
“Rancho Alegre”, que levava Mazzaroppi para a telinha. Paulista e descendente
de italiano, Amácio Mazzaropi foi o grande nome do humor na TV na década de
1950 e só deixou seu programa para se dedicar ao cinema, em 1954.
Outras
emissoras
A TV
Tupi só ganhou concorrência dois anos depois, quando a TV Paulista estreou em
1952. A partir de então, o negócio deslanchou: em 1953, estreou a TV Record; em
1955, a TV Rio; em 1959, a Excelsior; e em 1965, a TV Globo.
Notícias na TV
'Imagens do
dia', primeiro telejornal brasileiro — Foto: Reprodução
No dia
seguinte à inauguração da televisão, entrou no ar o primeiro telejornal
brasileiro: “Imagens do dia”. Com uma logomarca e narrações como off para
imagens, ele narrava os acontecimentos do dia.
Mas o
gênero só ganhou o público e muitos pontos de audiência com a estreia do
“Repórter Esso”, já famoso no Rádio. Ele foi ao ar na Tupi de 1952 até 1970,
apresentado pelos fenômenos do rádio: Kalil Filho e Gontijo Teodoro. Sem
tecnologia que permitisse integrar o sinal entre os estados, os jornais eram
regionais e cada cidade tinha sua própria edição do “Repórter Esso”.
A
hora e a vez das novelas
O ator Walter
Forster e a atriz Vida Alves em cena de 'Sua Vida me Pertence', novela de 1951
— Foto: Divulgação
Famosas
e amadas no rádio, as novelas não demoraram para chegar também à TV. Em 21 de
dezembro de 1951, “Sua vida me pertence” inaugurou o gênero que se tornou o
principal produto da televisão e paixão nacional.
A trama
tinha só 15 capítulos e foi exibida ao vivo, já que ainda não havia recursos de
gravação, o famoso videoteipe. Ela ia ao ar duas vezes por semana, às terças e
quintas. Escrita, dirigida e protagonizada por Walter Forster, teve no elenco
Vida Alves, Lima Duarte e Lia de Aguiar.
Os
brasileiros só ganharam uma novela diária em 1963, quando estreou “2-5499
ocupado” na TV Excelsior, adaptação de uma história argentina. Tarcísio Meira e
Glória Menezes eram o casal apaixonado: ela era uma presidiária que, apenas
pelo telefone, fazia o galã se apaixonar.
O
elenco enxuto, formado por nove atores, e a história simples já foram
suficientes para ganhar o Brasil: graças ao videoteipe, a novela foi gravada e
enviada para todos os estados com afiliadas da Excelsior. E graças à novela,
Tarcísio e Glória se tornaram o casal mais celebrado da televisão.
Beijinhos e beijões
Vida Alves e
Walter Forster na novela 'Sua vida me pertence', de 1951; eles protagonizaram o
primeiro beijo da TV brasileira — Foto: Divulgação
A atriz Vida Alves é detentora de duas marcas na história: deu o primeiro beijo da TV brasileira, na década de 50, e também o primeiro beijo gay, nos anos 60.
O primeiríssimo selinho foi exibido no último capítulo de “Sua vida me pertence”, em 8 de fevereiro de 1952. Quem se beijava na telinha eram Forster e Alves, o mocinho e a mocinha da trama.
“Foi um beijo marcadinho, sem ensaio e profundamente técnico. Eu e Walter
combinamos a postura, ele pediu autorização para a direção e, eu, para meu
marido. Foi um verdadeiro escândalo para a época”, contou a atriz ao G1, em 2010.
O pudor era tão grande que o fotógrafo da Tupi
não registrou o momento, porque achava que não seria publicado em lugar algum.
Vida
também foi pioneira do beijo entre duas mulheres. No teleteatro "A
calúnia", a atriz beijou a personagem de Georgia Gomide, em 1964.
"Era
a história de uma menina malvadinha que, por uma nota baixa, inventa que duas
jovens eram amantes. Isso fez com que os pais tirassem as filhas da escola.
Foram saindo todos os alunos. A escola teve que ser fechada. As duas moças, eu
e a Geórgia Gomide, ficaram muito tristes, sentaram-se uma perto da outra.
Deram as mãos e disseram que se amavam. Deram um beijo, também de uma forma
mais romântica que erótica", detalhou a atriz em outra entrevista ao G1, em 2014.
O fato
repercutiu na sociedade, mas não chegou a gerar revolta. As pessoas diziam que
a TV "estava ficando mais extravagante", contou Alves, mas a vida
seguiu.
Félix (Mateus
Solano) e Niko (Thiago Fragoso) se beijam em 'Amor à vida' — Foto:
Reprodução/TV Globo
Em
2014, grande parte do país comemorou mais uma virada de capítulo na
dramaturgia: o primeiro beijo
entre dois homens na Rede Globo, no horário nobre. No capítulo final de
“Amor à vida”, Niko (Thiago Fragoso) beijou Félix (Mateus Solano) e houve quem comemorasse a cena em mesas
de bar, como final de copa do mundo.
Os atores também vibraram. "Estou extasiado por saber que
as pessoas estão tendo essa reação. Ainda estou meio anestesiado", disse
Fragoso, na época. "Eu acho que o Walcyr pegou todo mundo pelo amor.
Acredito que a maioria se rendeu ao casal", completou Solano.
Sitcom chega ao país
'Alô, doçura!' —
Foto: Reprodução/IMDB
O Brasil ganhou sua
primeira sitcom em 1953. Cassiano Gabus Mendes criou, roteirizou e dirigiu a
história sobre as desventuras de um casal. “Alô, doçura! ” teve outros nomes e
outros protagonistas até virar sucesso com Eva Wilma e John Herbert.
Inspirada no seriado
norte-americano "I Love Lucy", a comédia romântica foi ao ar até 1964
e formou o primeiro casal de atores da TV: Wilma e Herbert, apelidados de
"casal doçura", se casaram e tiveram dois filhos juntos.
A televisão é das mulheres
O governador do
estado da Guanabara, Carlos Lacerda é o convidado no programa de auditório 'O
Mundo é das Mulheres', da TV Paulista, em São Paulo. Da esquerda para a
direita: Wilma Bentivegna, Branca Ribeiro, Carlos Lacerda, Hebe Camargo, e de
costas, Vida Alves, em foto de março de 1964 — Foto: Estadão Conteúdo/Arquivo
Nos
primeiros cinco anos, a TV ainda era dominada pelos homens. Coube a Hebe Camargo
a função de deixar as coisas mais equilibradas. Foi ela quem comandou, ao lado
de Vida Alves e Wilma Bentivegna, a primeira atração voltada especialmente para
o público feminino, o programa "O mundo é das mulheres", na TV
Paulista.
Na
atração, as apresentadoras entrevistavam personalidades em evidência, de
políticos a artistas, e eram livres para falar sobre o que quisessem.
Foi o
programa que consagrou Hebe como apresentadora. Presente na TV desde seus
primeiros dias, ela fazia participações musicais em várias atrações. Foi só em
1966 que ela ganhou um programa próprio, aos domingos, na TV Record e se tornou
líder de audiência.
É TETRA!
















A TV realmente é uma das melhores invenções que já existiu, pois consegue conectar todo o planeta em um único tema, seja com notícias ou programas. O Brasil cresceu muito no mundo televisivo, principalmente com as novelas. E com isso, vem fortalecendo e expandindo sua cultura através da televisão. Na minha opinião, devia ser muito diferente a vida dos brasileiros antes da chegada da televisão, apesar da fama já existente do rádio na época. Eu em particular gosto muito de TV, sou um verdadeiro fã.
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