4º Bimestre 2019: Cultura
Nos seus 500 anos de morte, da Vinci é celebrado em mostras no Rio
e em São Paulo
Biblioteca
Nacional exibirá cerca de 70 obras do acervo do gênio; MIS de São Paulo fará
expo interativa
Nelson Gobbi
22/10/2019 -
03:30 / Atualizado em 22/10/2019 - 07:50
"A Última Ceia", gravura a água-forte
de Raffaello Morghen, que reproduziu diversas obras de Da Vinci Foto:
Divulgação / Agência O Globo
RIO — Quando as caravelas
comandadas por Pedro Álvares Cabral aportaram no sul da Bahia, Leonardo da
Vinci (1452-1519) já havia produzido algumas de suas obras mais famosas, como o
afresco “A última ceia” (1495) e o desenho do “Homem vitruviano” (1490), além
de ter dado importantes contribuições em pesquisas nas áreas de engenharia,
anatomia e matemática. A abrangência e a atemporalidade de seu legado, mais
antigo do que a delimitação das fronteiras do Brasil como um território, são as
marcas de exposições que destacam os 500 anos de morte do artista e cientista
italiano por aqui.
A primeira será inaugurada nesta quarta-feira, dia 23, “Alma do
Mundo — Leonardo 500 anos”, na Biblioteca Nacional, no Centro do Rio. Com
curadoria de Marco Lucchesi, presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL)
e pesquisador da obra de Da Vinci, a mostra levará ao público cerca de 70 obras
do acervo da BN relacionadas ao italiano. O destaque é uma rara edição de
“Divina proportione”, livro do frade e matemático Luca Pacioli (1447-1517),
impresso no início do século XVI, que conta com 60 ilustrações de poliedros
feitas por Da Vinci. A publicação será exposta junto a outros itens do setor de
obras raras, que chegaram ao Rio em 1808, trazidas por D. João VI com a
Biblioteca Real, a exemplo de uma água-forte de Raphael Morghen com a imagem de
“A última ceia”, datada de 1800.
A mostra também traz
colaborações com outras instituições brasileiras, como o IMPA (Instituto de
Matemática Pura e Aplicada), o Instituto Fractarte (São Paulo), e o Museu de
Ciência e de Vida da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES. A proposta é
mostrar Da Vinci como um criador completo, um exemplo de homem renascentista,
que dominava diferentes áreas do conhecimento humano.
— Queremos mostrar Da Vinci e o
renascimento não como um recorte do passado, mas como uma visão de futuro. Essa
dissociação entre o campo das artes e da ciência é relativamente recente na
História, e vemos hoje como os conhecimentos voltam a ser híbridos — observa
Lucchesi. — Para além de toda a sua capacidade técnica, ele continua
surpreendendo por projetar um pensamento além de seu tempo. Basta pensar nos
seus estudos com sólidos platônicos com os recursos existentes na época, e que
são verificados hoje com a tecnologia digital.
Exposição 'Leonardo da Vinci 500 Anos de um
Gênio' no Museu da Imagem do Som em São Paulo Foto: Divulgação / Agência O Globo
Além das raridades de seu
acervo, a BN também vai expôr trabalhos de artistas brasileiros que dialogam
com a obra do italiano, assinados por nomes como Israel Pedrosa (1926-2016),
Wesley Duke Lee (1931-2010), Valtercio Caldas, Angelo Venosa e Ana Maria Maiolino.
— Outro destaque são
livros do acervo da Biblioteca Nacional que nos permitem conhecer o que Da
Vinci estudou, o que aprendeu, valorizando o trabalho da nossa equipe de
conservação e restauração — ressalta Helena Severo, presidente da BN.
Em São Paulo, a
homenagem ao italiano foi escolhida para a abertura do MIS Experience, em 2 de novembro .
Ocupando uma área de 2,2 mil m², nas antigas instalações de marcenaria da TV
Cultura, a exposição “Leonardo da Vinci — 500 anos de um gênio” aposta na
experiência imersiva, criada pela empresa australiana Grand Exhibitions, em
parceria com o Museo Leonardo da Vinci, de Roma. Com 18 setores temáticos, a
mostra também conta com a seção “Segredos de Mona Lisa” e uma área com mais de
60 réplicas de máquinas projetadas pelo italiano. Somando obras e o valor das
exposições, o total investido foi de R$ 8,5 milhões, oriundos da iniciativa
privada.
— É uma forma inovadora de ver obras de
arte, que seria impossível num museu tradicional. Muita gente sai frustrada ao
ficar 30 segundos na frente da “Mona Lisa”, no Louvre, depois de enfrentar
tantas filas. Na imersão é possível um nível de detalhes que desperta ainda
mais curiosidade pela obra original — comenta Marcos Mendonça, presidente do
Museu da Imagem e do Som.
Para além das exposições, é possível
ver um pouco mais do italiano no teatro e na TV. Em cartaz até o fim do mês no
Teatro XP Investimentos, no Jockey, “Da Vinci”, da Cia. de Idéias, apresenta
algumas de suas obras-primas ao público infanto-juvenil. E o documentário
“Leonardo da Vinci — O homem universal”, da produtora francesa CPB Films, que
estreia nesta quinta, às 23h, no canal Curta!.


É uma oportunidade única ter acesso e ver obras antigas de um gênio como Da Vinci. Obras que foram conservadas durante tanto tempo, que são conhecidas no mundo todo e que agora poderemos ver também. Gosto muito de arte e não perderei a oportunidade de conhecer as obras de Leonardo da Vinci.
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