1º Bimestre - Cultura
No Rio, um piano esquecido desperta o
talento adormecido de dois Lucas
Dois
jovens da Baixada Fluminense, um entregador de farmácia, outro vendedor de
chocolates, puderam incluir a música na dura rotina.
A última reportagem desta quinta-feira (12) é uma
história registrada no Rio de Janeiro. E não tem nada a ver com as notícias de
violência e de corrupção.
No Centro do Rio não existe mal que fique sem remédio. Basta
uma ligação que o Lucas entrega.
“Desde dor de cabeça até teste de gravidez
também. E aquela pílula azulzinha”, brinca. Lucas
Alexandre Conceição Pereira, entregador de farmácia.
Contra o azedume da rotina e as amarguras do cotidiano,
outro Lucas tem a receita que pode curar: chocolate.
“Eu vendo
chocolates. Tudo que tem a ver com chocolate. Trufa, bolo, brigadeiro”, diz o vendedor
de doces Lucas Freitas, de 18 anos.
Lucas, 22 anos, mora em Duque de Caxias.
“Moro no bairro chamado Parada Morabi, que não
tem no mapa, não. É tão pequeno que não tem”.
Lucas, 19 anos, mora em Duque de Caxias.
“Moro com o meu
pai, minha madrasta e a sobrinha da minha madrasta”.
Entre os dois meninos da Baixada Fluminense existe um
legítimo lorde inglês. Chegou ao Brasil não se sabe exatamente quando, trazido
por não se sabe exatamente quem: um piano de meia cauda com 88 teclas e um belo
brasão.
O título nobre de melhor entregador é fruto de muito
trabalho. Com 500 encomendas por mês, o Lucas se orgulha de ser um dos
recordistas da farmácia.
“Não é querendo me gabar não, mas eu sou um
dos melhores entregadores lá”.
O pai do segundo Lucas foi demitido e a grana em casa
encurtou. Cada bombom custa R$ 2,50. Em um dia bom, vende uns 40.
“É um dinheiro
bom que dá para eu guardar e pagar as minhas passagens”.
Ele também estava sem emprego, largado, fechado,
esquecido. Até que a direção da Caixa Cultural decidiu que era um desperdício.
Levaram o piano para o saguão e abriram para quem quisesse tocar.
Quando descobriu o instrumento, o Lucas não acreditou,
ficou em dúvida: será que pode mesmo?
“Acho que eu nem imaginava tocar um piano na
vida, de verdade. Eu nunca tinha visto um piano, assim, pessoalmente”.
O outro Lucas também descobriu o piano por acaso. Vai
sempre que pode. Quando o doce termina na caixa, outro gosto começa nos dedos.
“Eu vim aqui
uma vez com uma amiga assistir uma exposição e eu vi ele aqui de longe. Eu me
apaixonei por este piano”.
Os dois vizinhos que não se conhecem aprenderam a tocar
sozinhos. Sem escola e sem método, o primeiro Lucas toca o que a sensibilidade
manda.
“Quando eu estou tocando uma coisa inventada,
que eu estou criando, fico imaginando umas cenas. Como é inspiração, a gente
acaba desenvolvendo a criatividade, pensado em coisas criativas e vai saindo. Penso
em cenas de filmes, cenas de novela. É engraçado, mas é assim que acaba saindo
a música”.
O segundo Lucas ganhou ajuda para estudar música, quer
fazer faculdade. É fã de jazz e pretende ganhar a vida com muitas notas
musicais.
“O meu maior
desejo é, futuramente, só viver da música. Eu tenho composições, gravar essas
composições”.
Curioso é pensar que, em uma cidade por vezes tão
embrutecida, cada um poderia ainda estar onde estava. O piano fechado no
depósito. O Lucas da farmácia nas entregas. O Lucas do chocolate nos bombons.
Mas alguém deu uma oportunidade aos três e, de repente, o som se fez.
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2018/04/no-rio-um-piano-esquecido-desperta-o-talento-adormecido-de-dois-lucas.html
Apresentação Musical na Instituição Tocando em Você, onde faço aulas de violão.


É sempre bom aprender coisas novas, principalmente relacionado a música,
ResponderExcluirque pode atrair milhares de pessoas.Também gostaria de receber uma
oportunidade dessas, pois gosto muito de música. Faço aula de violão e
gostaria de ter e aprender piano.
Também vi essa noticia na televisão, e soube que os dois Lucas foram para
a escola de música Villa Lobos, uma das melhores escolas de música do Rio de
Janeiro.