Por que há uma guerra civil na Síria: 8 perguntas para
entender o conflito
O confronto entre opositores e o governo
completa sete anos, com mais de 400 mil mortos e desaparecidos e 11,7 milhões
de refugiados dentro e fora do país, cada vez mais devastado pelo conflito.
Por BBC: 14/04/2018 11h44
Um
levante pacífico contra o presidente da Síria que teve início há sete anos
transformou-se em uma guerra civil que já deixou mais de 400 mil mortos,
devastou cidades e envolveu outros países.
O Alto
Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) calcula que mais de 5
milhões já deixaram o país.
Entenda a seguir
a origem desse conflito e suas consequências até agora.
1. Como a guerra começou?
Mesmo antes do conflito começar, muitos sírios
reclamavam dos altos índices de desemprego, corrupção e falta de liberdade
política sob o presidente Bashar al-Assad, que sucedeu seu pai, Hafez, após sua
morte, em 2000.
Em março de
2011, protestos pró-democracia eclodiram na cidade de Deraa, ao sul do país,
inspirados pelos levantes da Primavera Árabe em países vizinhos.
Quando o governo
empregou força letal contra dissidentes, houve manifestações em todo o país
exigindo a renúncia do presidente.
O clima de revolta se espalhou, e a repressão se intensificou. Apoiadores da
oposição pegaram em armas, primeiro para defender a si mesmos e depois para
expulsar forças de segurança das áreas onde viviam. Assad prometeu acabar com o
que chamou de "terrorismo apoiado por estrangeiros".
Seguiu-se uma rápida
escalada de violência, e o país mergulhou em uma guerra civil.
2.
Quantas pessoas já morreram?
O Observatório Sírio de Direitos Humanos, uma ONG britânica que
monitora o conflito com base em uma rede de fontes locais, registrou 353.900
mortes até março de 2018, incluindo 106 mil civis.
Os dados não
incluem 56.900 pessoas que estão desaparecidas e consideradas mortas. O grupo
também estima que 100 mil mortes não foram documentadas.
Enquanto isso, o
Centro de Documentação de Violações, que recorre a ativistas na Síria,
registrou o que avalia ser violações às leis de direitos humanos
internacionais, inclusive ataques contra civis.
Foram
documentadas 185.980 mortes relacionadas ao conflito, entre elas as de 119.200
civis, até fevereiro de 2018.
3.
Do que se trata a guerra?
Agora é mais um conflito entre aqueles a favor e contra Assad.
Muitos grupos e
países, cada um com suas próprias agendas, estão envolvidos, tornando a
situação muito mais complexa e prologando a guerra.
Eles foram
acusados de cultivar o ódio entre os grupos religiosos na Síria, colocando a
maioria muçulmana sunita contra o secto xiita alauíta do presidente.
Essas divisões
fizeram com que ambos os lados cometessem atrocidades, dividindo comunidades e
tornando mais tímida a esperança de paz.
Também
permitiram que grupos jihadistas como o autodenominado Estado Islâmico e a
al-Qaeda florescessem.
Os curdos
sírios, que querem ter o direito de governar a si próprios, mas não combatem as
forças de Assad, acrescentam outra dimensão ao conflito.
4. Quem
está envolvido?
Os principais apoiadores do governo são a Rússia e o Irã, enquanto os
Estados Unidos, a Turquia e a Arábia Saudita apoiam os rebeldes.
A Rússia já
tinha bases militares na Síria e lançou uma campanha militar aérea em apoio a
Assad em 2015 que foi crucial para virar o andamento da guerra a favor do
governo.
Os militares
russos dizem que os ataques têm como alvo "terroristas", mas
ativistas afirmam que regularmente morrem rebeldes e civis.
Acredita-se que
o Irã tenha enviado centenas de soldados e gasto bilhões de dólares para ajudar
Assad.
Milhares de
muçulmanos xiitas que integram milícias armadas, treinadas e financiadas pelo
Irã - a maioria é do Hezbollah no Líbano, mas também do Iraque, Afeganistão e
do Iêmen - têm lutado ao lado o Exército sírio.
Os Estados
Unidos, Reino Unido, França e outros países ocidentais forneceram variados
graus de apoio para o que consideram ser rebeldes "moderados".
Uma coalizão
global liderada por eles também realiza ataques contra militantes do Estado
Islâmico na Síria desde 2014 e ajudou uma aliança entre milícias árabes e
curdas chamada Forças Democráticas Sírias (FDS) a assumir o controle de
territórios antes dominados por jihadistas.
A Turquia apoia
há tempos os rebeldes, mas concentrou esforços em usá-los para conter a milícia
curda que domina a FDS, acusando-a de ser uma extensão de um grupo rebelde
curdo banido do território turco.
A Arábia Saudita
foi um elemento-chave para conter a influência iraniana e também armou e
financiou os rebeldes.
Ao mesmo tempo,
Israel tem se preocupado muito com o envio de armas iranianas para o Hezbollah
na Síria e tem realizado ataques aéreos para interromper isso.
5. Como o
país tem sido afetado?
Além de causar centenas de milhares de mortes, a guerra incapacitou 1,5
milhões de pessoas, entre ela 86 mil que perderam membros do corpo.
Ao menos 6,1
milhões de sírios tiveram de deixar suas casas para buscar abrigo em alguma
outra parte do país, enquanto outros 5,6 milhões se refugiaram no exterior.
Líbano,
Jordânia e Turquia, onde 92% destes sírios refugiados vivem hoje, têm
enfrentado dificuldades para lidar com um dos maiores êxodos da história
recente.
A ONU estima que
13,1 milhões de pessoas necessitarão de algum tipo de ajuda humanitária na Síria
em 2018.
Os dois lados do
conflito pioraram essa situação ao se recusar a permitir o acesso de agências
com fins humanitários a quem precisa de auxílio. Quase 3 milhões de pessoas
vivem em áreas alvos de cerco e de difícil acesso.
Os
sírios também têm acesso limitado a serviços de saúde.
A organização
Médicos por Direitos Humanos registrou 492 ataques a 330 instalações médicas
até dezembro de 2017, o que resultou em 847 profissionais de saúde mortos.Grande
parte do patrimônio cultural da Síria também foi destruído. Todos os seis
locais considerados pela Unesco como patrimônio da humanidade sofreram danos
significativos.
Bairros inteiros
foram arrasados em todo o país.
6. Como o país está dividido?
O governo reassumiu o controle das maiores cidades sírias, mas grandes
partes do país ainda estão sob o comando de grupos rebeldes e da FDS.
O principal
reduto de oposição é a província de Idlib, no nordeste do país, onde vivem mais
de 2,6 milhões de pessoas.
Apesar
de designada como uma zona onde não deveria haver hostilidades, Idlib é alvo de
uma ofensiva do governo, que diz estar combatendo jihadistas ligados à
Al-Qaeda.
Ataques por
terra também estão em curso em Ghouta Oriental. Seus 393 mil residentes estão
sob o cerco do governo desde 2013 e enfrentam intensos bombardeios, assim como
uma grave falta de comida e de suprimentos médicos.
Enquanto isso, a
FDS controla a maioria do território a leste do rio Eufrates, incluindo a
cidade de Raqqa. Até 2017, esta era a capital do "califado" que o
Estado Islâmico disse ter instaurado, mas, agora, o grupo controla apenas
alguns bolsões na Síria.
7. A guerra vai acabar algum dia?
Não há qualquer sinal de que o conflito chegará ao fim em breve, mas
todos os lados envolvidos concordam que uma solução política é necessária.
O Conselho de Segurança
da ONU pediu a implementação de um governo de transição "formado com base
em consentimento mútuo".
Mas nove rodadas
de conversas de paz mediadas pela ONU desde 2014 obtiveram poucos progressos.
Assad parece
cada vez menos disposto a negociar com a oposição. Rebeldes ainda insistem que
ele renuncie como parte de qualquer acordo.
As potências
ocidentais acusam a Rússia de minar as conversas de paz ao estabelecer um
processo político paralelo, conhecido como processo Astana, com a Rússia
sediando um "Congresso de Diálogo Nacional" em janeiro de 2018.
No entanto, a
maioria dos representantes da oposição se recusaram a participar.
8.
Por que EUA, França e Reino Unido se uniram em novo ataque a alvos de Assad?
Os ataques realizados por Estados Unidos, França e Reino Unido contra a
Síria foram uma resposta ao suposto uso de armas químicas pelo governo do
presidente sírio, Bashar al-Assad.
"Ordenei as
forças armadas dos Estados Unidos a lançar ataques precisos em alvos associados
com instalações de armas químicas do ditador sírio Bashar al-Assad", disse
Trump, em pronunciamento na Casa Branca.
No último
sábado, imagens chocantes de adultos e crianças sofrendo sintomas do que
parecia ser um ataque químico correram o mundo.
Não há comprovação
de uso de armas químicas, mas os sintomas observados nas vítimas na cidade de
Douma, um reduto rebelde na periferia da capital da Síria, Damasco, indicam
possível uso de agentes como o cloro e o sarin, que atuam no sistema nervoso e
teriam provocado a morte de, pelo menos, 40 pessoas.
São armas
proibidas cujo possível uso, tido como certo pelo governo americano, motivou o
ataque de americanos e aliados contra três alvos - instalações químicas,
segundo o Pentágono - em Damasco e em Homs.
A Síria e a Rússia
dizem que a acusação é uma farsa e negam o uso de tais agentes.
Achei a notícia bem chocante, pois os sírios perderam seu país onde foram criados e viveram suas vidas.Agora terão que achar uma forma para sobreviver diante a essa guerra.Antes eu não sabia direito sobre essa guerra, mas depois dessa postagem, aprendi muitas coisas, mesmo não entendendo algumas partes.
Professores que fazem a diferença Que professores fazem diferença? Qual é a relação entre a qualidade cognitiva dos professores e o desempenho dos alunos? O que dizem os estudos sobre isso? Por João Batista Oliveira access_time 15 out 2018, 13h40 - Publicado em 15 out 2018, 13h37 Por ocasião do Dia do Professor, cabe uma reflexão: que professores fazem diferença? O que dizem as evidências sobre isso? Mais uma vez Erik Hanushek, junto com seus colegas Marc Piopiunik e Simon Widerhold, nos oferecem um resumo das evidências mais recentes. O artigo é complexo, mas a conclusão é simples: professores que fazem diferença possuem um nível cognitivo mais elevado, ou seja, situam-se entre os melhores alunos de sua geração. O estudo mostra que há uma fortíssima correlação entre a qualidade cognitiva dos professores e o desempenho dos alunos. E também mostra que o nível cognitivo dos professores é muito mais importante para explicar a ap...
Incêndio atinge a Catedral de Notre-Dame, em Paris Torre desmoronou em meio às chamas; estrutura foi salva após mais de quatro horas de trabalho dos bombeiros. Macron prometeu reconstruir catedral e diz que irá lançar campanha internacional. Por G1 Um grande incêndio atingiu a catedral de Notre-Dame, em Paris, nesta segunda-feira (15), um importante símbolo da cidade. A "flecha", torre mais alta da catedral, desmoronou, mas a estrutura do prédio foi salva, segundo os bombeiros. Um bombeiro ficou gravemente ferido durante o combate ao incêndio, de acordo com a agência Reuters. O fogo foi relatado primeiro por usuários em redes sociais. Não está claro ainda o que o causou, mas pode estar relacionado a uma obra que vinha sendo feita no telhado. A emissora France 2 disse que a polícia está tratando o caso como um acidente. A polícia isolou a área e retirou os turistas que estavam dentro da catedral. O acesso à Île de la Cité foi completamente fec...
A surpreendente descoberta do primeiro animal que pode viver sem oxigênio Uma equipe de cientistas descobriu um pequeno parasita multicelular que não precisa respirar. Por BBC 27/02/2020 21h35 Atualizado há um mês O parasita se aloja no salmão e forma uma espécie de cisto — Foto: Stephen Douglas Atkinson Durante anos, os cientistas acreditaram que o oxigênio era uma das bases fundamentais para a vida animal. E realmente é, embora existam alguns micro-organismos, como bactérias, que podem viver em ambientes anaeróbicos — algo até agora impensável para organismos multicelulares. No entanto, uma equipe de cientistas descobriu um pequeno parasita que não precisa respirar. A descoberta não apenas muda a maneira como entendemos a vida em nosso planeta, mas também pode sugerir novos caminhos para a busca por vida extraterrestre. De acordo com um estudo publicado esta semana na revista científica americana PNAS, o Henneguya salminicola vive no...
Achei a notícia bem chocante, pois os sírios perderam seu país onde foram criados
ResponderExcluire viveram suas vidas.Agora terão que achar uma forma para sobreviver diante a
essa guerra.Antes eu não sabia direito sobre essa guerra, mas depois dessa postagem,
aprendi muitas coisas, mesmo não entendendo algumas partes.