1º Bimestre 2020: Política
Embaixada da China diz que falas de autoridades brasileiras não vão afetar relação 'madura' com o país
Ministro Conselheiro do órgão,
Qu Yuhui, defendeu necessidade de cooperação. China não vai priorizar nenhum
país e atua para reforçar capacidade de produção, afirmou representante.
Por Mateus Rodrigues e Ana Krüger, G1 — Brasília
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O ministro Conselheiro da Embaixada da China,
Qu Yuhui, em videoconferência — Foto: G1 Política
O ministro-conselheiro da Embaixada da China no Brasil, Qu
Yuhui, afirmou em entrevista coletiva nesta sexta (10) que a relação entre os
dois países é "madura", e que o momento é de cooperação entre eles.
"Continuamos
a achar que os comentários feitos por essas figuras públicas de alto escalão
são lamentáveis, irresponsáveis. Ainda não conseguimos entender por que fizeram
esse tipo de declarações. Ou por ignorância, ou por outras intenções que nós
aqui não sabemos o que são", disse.
A declaração do ministro-conselheiro foi dada em uma semana de
novos ataques à China, desta
vez pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que usou rede social
para insinuar que o país poderia se beneficiar, de propósito, da crise mundial
causada pelo coronavírus. Depois, o ministro apagou o texto.
Em março, também em uma rede social, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho
do presidente Jair Bolsonaro, escreveu que a "culpa" pelo
coronavírus era da China.
Questionado, o representante chinês disse
que essas falas não devem impactar, por exemplo, a importação de equipamentos e
insumos chineses de combate à Covid-19.
“As declarações não vão influir na nossa cooperação porque não
cremos que representem a opinião majoritária do povo brasileiro, que é amigo da
China, tem seus laços de amizade com a China”, declarou.
Embora
tenha dito que nenhum país receberá prioridade do governo chinês, o ministro
também ressaltou que, na negociação entre empresas, a China não pode garantir a
adoção de critérios específicos.
Nem
todas as negociações são mediadas pelos governos, e distribuidores de materiais
médico-hospitalares podem comprar diretamente das empresas ou de
intermediários.
"No
caso da aquisição de equipamentos, no fundo, é um negócio comercial. O que o
governo chinês pode fazer é, primeiro, garantir que os fornecedores
recomendados são fábricas capacitadas, cadastradas no nosso sistema. Em segundo
lugar, que os produtos enviados não sejam revendidos ou desviados para lucro
especulativo", declarou.
"O
governo chinês não tem como interferir nos contratos comerciais firmados
diretamente entre um comprador em um fornecedor ou intermediário. Cada caso é
um caso, não sabemos muito bem os termos dos contratos. O intermediário pode
ser chinês, brasileiro ou de outro país, então não temos espaço para intervir
em tais termos."
Produzir e exportar
Desde março, governos e empresas de todo o mundo relatam
dificuldade para importar esses materiais. A China afirma que os pedidos
ultrapassam, em larga escala, a capacidade de produção do país.
O
ministro-conselheiro diz reconhecer que as dificuldades de compra geraram uma
"corrida" às fábricas, com governos e empresas oferecendo condições vantajosas para tentar furar a fila dos
pedidos. Segundo ele, o governo não controla esse tipo de relação e atua,
principalmente, para facilitar o aumento da produção industrial.
"A
China tem agora 21 fábricas de respiradores invasivos, mas a capacidade de produção
para as maiores fábricas é em torno de mil respiradores por mês. Isso está
ligado a vários aspectos, como o fornecimento de peças importadas e a falta de
mão de obra qualificada. São máquinas sofisticadas, você não consegue contratar
um 'fulano' para fabricar, precisa de trabalhadores experientes",
explicou.
Qu
Wuhui também disse que mesmo as fábricas que já retomaram capacidade plena, e
que estão operando 24 horas por dia, não vão conseguir atender a todos os
pedidos de governos e empresas. "As encomendas já chegam para outubro
deste ano", informou.
O
ministro da embaixada chinesa afirmou que, até a tarde desta sexta, (10), o
órgão não tinha sido comunicado oficialmente dos mais
de 40 voos a serem enviados pelo governo brasileiro à China, como
alternativa para o transporte dos equipamentos. Segundo Wuhui, é possível que o
contato ainda seja feito nos próximos dias.
Cooperação entre países
Questionado diversas vezes, Qu Wuhui foi enfático ao dizer que a
provocação das autoridades brasileiras não favoreve a manutenção de um bom
ambiente de cooperação de negociação entre os dois países. E disse apostar no
histórico de boas relações bilaterais para evitar maiores danos.
"Por
outro lado, as relações entre China e Brasil são muito maduras. Tem sido um
trabalho assíduo de muitas gerações, feito por tantas pessoas dedicadas à
causa, que não vai ser abalada ou danificada por um ou dois indivíduos irresponsáveis. Mas isso não quer dizer
que podemos deixar que essa atitude saia totalmente imune", ponderou.
Ainda
assim, o ministro-conselheiro disse que a "tarefa número um" neste
momento é continuar a trabalhar junto com o governo brasileiro e reforçar a
cooperação com a China no combate ao coronavírus. Ele lembrou que a parceria
entre os dois países continuará a ser importante após a pandemia.
"Respeitamos
muito a política externa do Brasil, que busca equilíbrio, diversidades,
independência das decisões. Esperamos que isso continue e pelo lado chinês,
sempre vamos tratar o Brasil como um parceiro estratégico, um país amigo",
disse.

Nesses tempos difíceis, os países devem manter a diplomacia, pois não dá para definir um culpado. Cada fala ofensiva só faz atrapalhar e enfraquecer a união e a cooperação entre os países. É tempo de ajudarmos uns aos outros para combater o coronavírus.
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